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Vazamento de esgoto causou desabamento em obra do Metrô na Marginal do Tietê, diz governo

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01/02/2022 às 14h31
Por: DILMAN LIMA
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Vazamento de esgoto causou desabamento em obra do Metrô na Marginal do Tietê, diz governo

Um desmoronamento foi registrado nas obras da Linha-6 Laranja do Metrô na manhã desta terça-feira, 1, e fez ceder parte do asfalto da Marginal do Tietê. O acidente fez com que as faixas da Marginal, no sentido Ayrton Senna, fossem interditadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) nas imediações da Ponte do Piqueri, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Corpo dos Bombeiros, não houve vítimas - quatro trabalhadores da obra foram socorridos após ter contato com a água. O governo de São Paulo afirma que o rompimento de uma coletora de esgoto causou o desmoronamento.

Segundo a Linha Uni e a Acciona, responsáveis pelas obras da Linha 6-Laranja de metrô, houve um rompimento de uma coletora de esgoto próximo ao VSE Aquinos (poço de ventilação e saída de emergência). "Equipes da Linha Uni, da Acciona e demais técnicos estão no local para apurar os fatos. Todas as medidas de contingência já foram tomadas. Parte do asfalto da Marginal Tietê cedeu e, por questão de segurança, a pista está parcialmente interditada", disse, em nota.

Conforme a Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), houve o rompimento da galeria de esgoto que passa no sentido transversal ao túnel. O vazamento teve início às 8h21. Todos os trabalhadores foram retirados do local, em segurança. O solo não suportou o peso da galeria de esgoto e acabou se rompendo. Não houve choque do tatuzão, pois a tuneladora passava a três metros da galeria no momento da ocorrência. Hipótese apresentada inicialmente pelo Corpo de Bombeiros.

A STM informou ainda que, tão logo tomou conhecimento do incidente, determinou o isolamento de todo o perímetro e enviou uma equipe para acompanhar a apuração da causa. "As causas do acidente estão sendo apuradas, assim como a extensão dos danos à obra e às vias locais", afirmou mais cedo.

A Acciona identificou que o problema foi de uma coletora, eles atingiram uma coletora da Sabesp. Dadas as circunstâncias, é o menor dos problemas, poderia ser algo muito mais grave", disse o governador João Doria (PSDB). "Felizmente não tivemos nenhuma vítima, nem com ferimentos e muito menos óbito. Tivemos quatro pessoas socorridas em pronto-socorro porque tiveram contato com a água", completou.

"Estamos trabalhando na recuperação desse coletor de esgoto que teve um solapamento. Nesse momento a quantidade de esgoto que chega aqui é bem menor do que a que chegava pela manhã. A situação não representa um grande problema. Até o fim do dia a questão estará resolvida", diz o diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga.

Um buraco pode ser visto na manhã desta terça ao lado do canteiro de obras da Linha 6-Laranja do Metrô. Imagens da TV Record mostram que um fluxo de água atingiu a área e o terreno começou a ceder na região. Parte de uma das faixas da pista local da Marginal já cedeu e há risco de atingir as demais pistas. O trânsito no local está totalmente bloqueado, o que causa lentidão para quem trafega pela área.

Segundo o porta-voz do Corpo dos Bombeiros, capitão André Elias, a hipótese é de que o acidente ocorreu após um choque do tatuzão (máquina usada na escavação), mas ainda não sabe se foi atingida uma adutora ou se a água vem do leito do rio.

"A informação que nós temos é de que realmente essa máquina teria atingido alguma coisa, mas não cabe ao Corpo de Bombeiros saber realmente o que foi. Cabe à empresa que fez a obra e a toda a parte de engenharia do Metrô dar provimentos a isso", disse ele em entrevista à GloboNews.

"O que temos, do local, é de que pode ter sido o leito do rio ou de transporte de fluidos. Essa informação não temos". Todos os funcionários que estavam no local conseguiram sair após o vazamento. Dois trabalhadores, que tiveram contato com a água suja que invadiu o túnel, foram socorridos. Mergulhares chegaram a ser acionados para localizar possíveis vítimas.

A CET informou, no início da tarde, que duas pistas no sentido Ayrton Senna da Marginal Tietê foram liberadas. As pistas local e central continuavam interditadas. Segundo a CET, há uma canalização controlada em duas faixas da pista expressa para que veículos atravessem o ponto da obra com segurança.

Agentes da companhia estão distribuídos ao longo do trecho interditado orientando os condutores. A CET pede que os motoristas evitem a Marginal Tietê e as vias da região.

Pela amanhã, para o escoamento do trânsito represado, os veículos na pista central estavam sendo destinados para a expressa. Já os veículos que estão na local estavam sendo direcionados para o corredor formado pela Avenida Ermano Marchetti e Avenida Marquês de São Vicente e retornavam para a Marginal na altura da Praça Pedro Corazza.

Em razão da ocorrência, o rodízio municipal de veículos está suspenso nesta terça-feira, tanto o do período da manhã quanto o da tarde/noite.

Dados da CET já mostram o efeito do bloqueio sobre os indicadores de lentidão no trânsito da cidade. Por volta das 10h, a lentidão atingiu a média superior do registro, com 5,9% das vias monitoradas. A Marginal sentido Ayrton Senna registra engarrafamento estimado de 7 quilômetros, o que se reflete também em outras ruas e avenidas das imediações.

Tatuzão operava no local desde dezembro e tinha previsão de percorrer 10km

O Tatuzão, equipamento de perfuração de túneis, operava no local do acidente desde 16 de dezembro. A tuneladora, nome técnico do equipamento, começou a escavação em um evento que contou com a presença do governador João Doria (PSDB). Ele partiu do VSE Tietê (poço de ventilação e saída de emergência) e chegaria até um outro VSE na Avenida Senador Felício dos Santos, no centro.

O equipamento percorreria dez quilômetros nos próximos meses entre as estações Santa Marina e São Joaquim. Pesando 2 mil toneladas, cada Tatuzão possui diâmetro de 10,61 metros e extensão de 109 metros, de acordo com especificações da empresa responsável pela obra. Sua capacidade de perfuração é de aproximadamente 12 a 15 metros por dia.

Para a sua operação são necessárias aproximadamente 50 pessoas, divididas em três turnos de trabalho, informou a Acciona. A máquina possui refeitório, cabine de enfermagem, esteira rolante para a retirada do material escavado, além de cabine de comando e equipamentos auxiliares.

A Linha 6-Laranja do Metrô tem a previsão de interligar o bairro da Brasilândia, na zona norte, à Estação São Joaquim, na região central da capital. A obra tem 15 quilômetros de estação e previsão de construção de 15 estações. A previsão do governo do Estado é que a linha, quando estiver pronta, deverá transportar 630 mil passageiros por dia.

A obra é fruto de uma parceria público-privada (PPP) do governo com a concessionária Linha Universidade. As obras estão em execução pelo braço de construção do grupo Acciona. Depois de finalizada a obra, a Linha 6 deverá ser operada pela Linha Uni por 19 anos.

Paradas por quatro anos, desde setembro de 2016, as obras foram reiniciadas em outubro de 2020. O contrato da implantação, manutenção e operação da linha foi comprado pela empresa espanhola Acciona em 2019. Antes ele era do consórcio Move São Paulo (formado pela Odebrecht TransPort, a Queiroz Galvão e a UTC Engenharia).

Embora o contrato do consórcio anterior tenha sido assinado em 2013, as obras foram iniciadas apenas em abril de 2015 e paradas no ano seguinte. Em 2008, o Estado chegou a noticiar que a linha começaria a operar de forma parcial em 2012 e integralmente três anos depois.

Cratera de estação em Pinheiros deixou sete mortos em 2007

Em 2007, um deslizamento de terra no canteiro de obras da Estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo abriu um gigantesco buraco de 80 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade na tarde do dia 12 de janeiro de 2007.

 

Em pouco mais de um minuto a cratera tragou tudo à sua volta: caminhões, máquinas, carros e quem passava pelo local. Sete pessoas morreram e 79 famílias tiveram que ser removidas de casas interditadas.

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