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Saúde COVID-19

'Terceira dose de vacina deve ser a partir dos 60 anos, e não dos 70'

Ethel Maciel analisa dados de estudo da Fiocruz que mostram menor efetividade da Coronavac e AstraZeneca em idosos

30/08/2021 às 00h21
Por: DILMAN LIMA
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'Terceira dose de vacina deve ser a partir dos 60 anos, e não dos 70'

Pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que a efetividade das vacinas AstraZeneca (Oxford/Fiocruz) e Coronavac (Butantan) diminui com o aumento da idade. O resultado, que reforça estudos anteriores, para a epidemiologista e professora da Universidade Federal do Estado (Ufes) Ethel Maciel, aponta para necessidade de aplicação de dose de reforço da vacina a partir dos 60 anos, e não dos 70, como estabeleceu o Ministério da Saúde, mas principalmente acima dos 90.

O estudo aponta que dos 80 aos 89 anos, a AstraZeneca teve um índice de proteção contra morte de 89,9%, enquanto a CoronaVac apresentou 67,2%. Acima dos 90 anos, esses índices ficaram em 65,4% nos vacinados com AstraZeneca e 33,6% com CoronaVac. Com esta última, após os 60 anos, observa-se uma tendência de queda na efetividade geral de 75%, evidenciada em cada década de vida analisada, sendo esta diminuição mais sensível no grupo acima dos 80 anos.

 
Ethel acredita que a pesquisa, ao mostrar queda na efetividade de ambos imunizantes, contribui para acabar com a descrença de muitas pessoas em relação à Coronavac, que aumentou após a morte do ator Tarcísio Meira no último dia 12 por complicações da Covid-19, mesmo após tomar as duas doses, quando, segundo a epidemiologista, várias fake news sobre a vacina voltaram a circular.
 
A terceira dose nos idosos deve ser aplicada, defende Ethel, principalmente naqueles que moram em Instituições de Longa Permanência, uma vez que vivem em ambientes mais fechados e com frequência de visitas. Para a epidemiologista, é importante ter um estudo no Brasil que aponta para a afetividade das vacinas, uma vez que esse tipo de pesquisa já havia sido feito em outros países, como Estados Unidos e Israel, onde as vacinas aplicadas não foram as mesmas utilizadas em território brasileiro.
 
Esse tipo de pesquisa, afirma Ethel, contribui também para remodelar a campanha de vacinação. "É um vírus sobre o qual a gente sabe pouco ainda. Precisamos compreender alguns pontos e, a partir daí, remodelar a campanha de vacinação. A ciência evolui e a campanha deve evoluir também", ressalta.
 
Mais dados
 
O estudo foi coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Manoel Barral-Netto, avaliando a efetividade dos imunizantes em 75,9 mil pessoas vacinadas no Brasil entre 18 de janeiro e 24 de julho deste ano. Os resultados mostram que ambas as vacinas são efetivas na proteção contra infecção, hospitalização e óbito, considerando o esquema vacinal completo (duas doses): AstraZeneca, com 90% de proteção, e CoronaVac com 75%.
 
A pesquisa também demonstrou que as duas vacinas oferecem proteção contra casos moderados e graves de Covid-19 frente às variantes de preocupação em circulação no Brasil no período da análise. Indivíduos que receberam as duas doses da vacina AstraZeneca tiveram uma proteção de 72,9% contra infecção, 88% contra de hospitalização, 89,1% contra internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 90,2% contra óbito.
 
Pessoas com o esquema vacinal completo pela CoronaVac tiveram um risco de infecção 52,7% menor; 72,8% menor de hospitalização, 73,8% menor de ir para a UTI, e 73,7% menor de morrer.
 
Estudos anteriores
 
A pesquisa da Fiocruz também mostra que a proteção oferecida pela Coronavac contra a Covid-19 sintomática é compatível com estudos anteriores de eficácia realizados no Brasil, mas menores do que um trabalho feito na Turquia. No Chile, os níveis de efetividade para infecção e hospitalização foram maiores do que no Brasil. Uma das possíveis explicações para isso é a maior proporção de indivíduos mais jovens imunizados com esse imunizante no país, que são 51,2% com menos de 60 anos no Chile, enquanto que no Brasil são e 38,5%.
 
O estudo também leva em consideração para essa realidade o colapso no sistema de saúde brasileiro, a velocidade de vacinação e a diferença entre as variantes circulando nos dois países. Em relação à AstraZeneca, mostra 72,9% de efetividade contra infecção - acima dos 66,7% registrados em uma análise combinada de ensaios clínicos realizados no Reino Unido, África do Sul e Brasil. Já a efetividade contra hospitalização é compatível com os 80% e 88% observados em estudos na Escócia e na Inglaterra, respectivamente.
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