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Educação Geral

'Um tapinha dói sim', diz campanha para conscientizar sobre violência contra crianças e adolescentes

Entre 2010 e 2020, pelo menos 103 mil crianças e adolescentes morreram no Brasil, vítimas de agressão. Cerca de 2 mil vítimas tinham menos de 4 anos, segundo Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

27/06/2021 13h37
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Por: DILMAN LIMA
'Um tapinha dói sim', diz campanha para conscientizar sobre violência contra crianças e adolescentes

Dia estressante no trabalho, crianças agitadas e fazendo birra? Chega uma hora que a paciência vai embora.

Mas isso não é desculpa para usar da violência para "corrigir" os filhos, sob o discurso de "eu apanhei, mas estou aqui, vivo". O problema é que nem todo mundo sobrevive, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Pesquisas comprovam também que bater em criança gera danos neurológicos e psicológicos, além de ser uma prática considerada crime desde 2014. Um levantamento feito pela SBP mostra que, entre 2010 e 2020, pelo menos 103.149 mil crianças e adolescentes com idade até 19 anos morreram no Brasil, vítimas de agressão. Pouco mais de 2 mil vítimas tinham menos de 4 anos.

Durante a pandemia, no ano passado, o Disque 100 recebeu 95 mil denúncias de agressão contra crianças. Em 83% dos casos, os agressores em o pai ou a mãe.

'Um tapinha dói sim'

 

Pessoa deprimida, em imagem de arquivo — Foto: Getty Images via BBC

Pessoa deprimida, em imagem de arquivo — Foto: Getty Images via BBC

Para Kate Amaral, consultora de Disciplina Positiva e Neurociência, o fechamento das escolas e o isolamento obrigatório impediram que educadores e outras pessoas percebessem as agressões e fizessem denúncias.

 

"As pessoas não conhecem outra maneira de educar e vejo que pessoas se orgulham sobre essa criação como se ela fosse ótima. A palmada, que as pessoas dizem ser educativa, é a forma que foi passada para nós, pelos nossos pais e para os nossos pais pelos nossos avós. Mas essa forma não pode ser mais aceita nos dias de hoje por inúmeros motivos", diz Kate.

 

Segundo a especialista, dar tapas, empurrões ou agredir – de qualquer forma – pode gerar danos neurológicos, emocionais e sociais nas crianças. Além disso, a falta de paciência para o diálogo pode terminar em tragédia ou em traumas para a vida toda, mesmo que inconscientes.

"Um tapinha dói sim e não é possível conviver com esses números. As pesquisas são sólidas e consistentes de que crianças que apanham têm mais dificuldades para dormir, mais ansiedade, com mais probabilidade de ter depressão e se tornam adultos mais inseguros também", aponta Kate.

Especialistas também destacam que o uso da violência, física ou verbal, podem transformar as crianças em adultos violentos e cheios de inseguranças. "Vários estudos já comprovaram que sociedades que não batem em crianças são mais ricas porque também têm pessoas emocionalmente saudáveis, criativas e que foram encorajadas. Com isso, elas geram muito mais valor e têm muito menos problemas para serem tratadas!, diz a consultora.

 

 

"São pessoas, por exemplo, que não se permitem estar em um relacionamento abusivo porque aprenderam que amar não é bater."
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Atualizado às 11h54 - Fonte: Climatempo
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